Como se livrar do veneno que, por tanto tempo, foi o remédio para a dor, para a solidão, para a tristeza que assolava minha alma? Você plantou flores num deserto, fez do meu coração um oásis. Tua partida levou a chuva e trouxe a seca; matou as borboletas, o jardim. Dizimou o que havia de bom em mim.

E agora estou aqui, buscando por sementes que sobrevivam a escassez, ao inverno que domina meu corpo; que consiga rodar pelas estradas sinuosas que minha vida se tornou. Nada sobrevive ao vazio que deixaste. 

Sempre preferi o porto ao mar aberto, assistindo tudo pelos bastidores. Você sempre teve esse instinto aventureiro, que se perde por aí, sem hora pra voltar, que não se importa em naufragar o barco. Mudei por ti. Mergulhei no oceano, e sequer sei nadar. 

Agora estou me afogando e não tenho um herói para me resgatar. Te vi partir, me deixando na quietude de águas agitadas e profundas, submergindo lentamente, sem uma mão para me puxar de volta à superfície.