Se os sonhos expõem nossos desejos, por que ainda sonho tanto contigo? Será que estou me enganando quando digo que não penso mais em ti? Acho que sim, pois esses pesadelos tem se tornado recorrentes.
Você está lá, no fundo da minha mente como graxa no asfalto. Acordo sempre agitada, com o coração a mil e, algumas vezes, choro. Nem sei porque, mas as lágrimas simplesmente escorrem e uma bola se forma em minha garganta, me sufocando.
Sua ausência rouba meu ar, assim como sua presença já me deixou sem fôlego. Sua ausência me deixa trêmula, assim como sua presença já me deixou de pernas bambas. Sua ausência matou as borboletas em meu estômago, assim como sua presença as trouxe até lá. Você que sempre foi meu sol em dias frios, tornou-se uma sombra em meu verão; um vendaval em minha casa de palha.
As coisas são dessa forma, não? O sol que aquece é o mesmo que queima. A água que mata a sede é a mesma que afoga. O amor que cura é o mesmo que destrói.
Será que nem dormindo estou a salvo de você?
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