Na minha mesa tem apenas uma xícara no café da manhã, assim como tem apenas um prato, um copo, um garfo e uma faca no almoço e no jantar. Minha cama é de casal, mas eu durmo esticada nela. Tenho três travesseiros: um pra cabeça, um para as pernas e um para abraçar. No meu quarto só tem as minhas roupas jogadas pelo chão. No meu banheiro, é a minha calcinha que fica no registro. 

Gosto de ir no cinema, e vou quase toda semana. Vejo filmes românticos, de terror, de comédia; qualquer coisa que seja um filme. Os casais de mãos dadas me observam chegar sozinha, assistir sozinha e, às vezes, consigo ouvi-los sussurrar sobre como estão com pena por eu estar lá sem ninguém. Não entendo o porquê ter pena de mim. O filme é o mesmo tanto para mim quanto para eles. Na verdade, eu estou em vantagem: Não preciso dividir a minha pipoca. 

Saio muito para jantares. Gosto de ir em festas e dançar pra caramba. Aprecio a vista para o mar. Amo sentar nos banquinhos da praça com um bom livro nas mãos, que aliás estão sempre soltas, balançando ao lado do corpo. Deus me livre andar de mãos dadas com alguém nesse calor insuportável.

Não me sinto vazia, nem triste, nem incompleta. Não acho que eu seja "sem sentimentos" e nem acredito merecer qualquer outro rótulo que insistem em colocar em mim. Pelo contrário. Me sinto viva, disposta, alegre. Faço o que quero, quando quero e com quem eu quero. Meu lugarzinho é meu, e só meu. MEU!   

"Você precisa encontrar alguém. Vai acabar virando tia.", é o que minhas amigas me dizem. Não entendo qual a necessidade de dizerem isso. Por que eu não posso ser feliz sozinha? Eu gosto disso, gosto do meu espaço, gosto de não ter que dar satisfação. Então por que, me digam por que, eu iria querer abrir mão da minha liberdade por outra pessoa?

É claro, quem sabe um dia eu encontre alguém, mas não é algo que eu estou procurando. Se acontecer, aconteceu. Se não acontecer nunca, ótimo também. Me completar de mim mesma é o que faço e o que preciso. Os outros são, e sempre serão, apenas os outros.  

Eu escolhi estar sozinha, e não foi uma escolha ruim. Foi uma escolha completamente minha.