Um dia, você disse que pesquisou o significado do meu nome. “Aquele que ama. O possuidor desse nome é alguém que ama intensamente [...]”, segundo alguma fonte aleatória do google. Não consegui evitar o sorriso bobo em meu rosto. Pode parecer tolo, mas essa sua preocupação em pesquisar o que meu nome dizia sobre mim me deixou feliz. Fico imaginando o que teria te levado a ir atrás dessa informação: curiosidade apenas ou o desejo de passar o resto da vida ao meu lado.
Pois é isso que planejo contigo. Já estamos juntos há quase dez anos e não consigo imaginar o futuro sem você comigo, sem nossos planos de viajar para a África até ano que vem ou sem acordar ao seu lado (quase) todos os dias. Sempre tive essa visão meio "conto de fadas", onde encontraria meu primeiro amor e ele seria o último.
Que tolice a minha.
Algumas semanas depois, te vejo chegar do trabalho com o cabelo molhado, a roupa amassada e um belo vermelho no pescoço. Nem mesmo tenta negar ou fingir. Há outra pessoa em meu lugar. "Sinto muito" -é tudo que se limita a dizer.
As histórias não te preparam para o fim. A Cinderela não ficou sozinha depois de colocar o sapatinho, nem a Branca de Neve depois de acordar do sono, nem mesmo a Ariel após perder as pernas. Mas não sou uma princesa, então o que me resta é o fim. O adeus. A solidão. A traição -algo que jamais perdoarei.
Após levar minhas coisas embora, tento refletir sobre onde errei. Se eu fui de fato “aquele que amou”. que dedicou tempo a ti, atenção; que cuidou de nós dois como um pinguim cuida do filhote; o que fiz de errado? Ou será que o amor foi unilateral? Somente um era aquele que amava?
Na verdade, acho que eu devia ter pesquisado o significado do seu nome também. “Aquele que parte”, provavelmente estaria escrito.
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