Sinto falta de velhos amigos que sumiram com o tempo, sinto falta de pessoas que me ignoram, sinto falta dos dias em que escolher qual desenho assistir era minha única preocupação. Sinto falta de muita coisa -e parece que crescer é isso: um eterno perder. Perder pessoas para a distância, para o tempo, para outras pessoas. Sempre me disseram que os ventos do tempo carregavam tudo. O problema é que nem mesmo o amor parece sobreviver a ele.
Cada dia riscado no calendário parece ser um dia a menos para se viver, e o problema é que estou apenas sobrevivendo. Sofrendo por amores impossíveis, sofrendo de saudades que não são minhas, sofrendo por histórias irreais, que existem apenas na minha imaginação. Sofrendo por olhos que me olham, mas não me veem.
Estou com medo. Com medo de ser machucada. Com medo de não ser boa suficiente, com medo de não ter tempo. Com medo de errar. E o medo parece que domina. Ele gruda na gente e não quer sair. O pior é saber que me conformo em deixá-lo ficar. Lutar contra ele parece impossível, e é algo que preciso fazer sozinha.
E me apaixono. Me apaixono pelos dias de sol entre nuvens. Me apaixono pelas sombras que entram pela janela do meu quarto. Me apaixono pelo mar, que leva e trás. Me apaixono por mim mesma. Me apaixono pelo silêncio. Me apaixono por ti.
Viajo em imaginação. Viajo em pensamentos. Viajo enquanto ando de bicicleta. Viajo enquanto leio. Viajo nos teus olhos, no teu sorriso. Viajo enquanto canto. Viajo enquanto cozinho. E gosto de viajar, me acalma e liberta. E viajando assim, sem sair do lugar, parece que estou sempre perdida. Perdida em meio ao caos. Em meio ao mundo. Em meio às pessoas. Em meio a solidão. Em meio a esse mundão gigante.
E cá estou eu, novamente, viajando no seu sorriso.
Ah, se isso é estar perdida, eu não quero mais me encontrar.
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