Doeu quando seu adeus respingou tons azuis em meu coração escarlate, machucando ferindo minha alma, fazendo-a arder e sangrar uma mistura arroxeada de paixão e ódio. A linha tênue rompida. Um arco-íris de sentimentos desembocando numa nuvem de tempestade. O amor diluído num matiz cinza, tingido pela despedida.
As pinceladas da saudade marcam as paredes da minha cabeça; e fere como vidro rasgando a pele macia. Olho para seu fantasma pendurado no cabide ao lado da sua camiseta de linho -há muito esquecida em meu armário, maculada por sua presença (in)constante- e tento não me afogar nesse oceano de lembranças; nem cair de joelhos pelo peso das memórias que insistem em vir à tona. Sangro. Você é uma hemorragia impossível de estancar.
Sentada à mesa, observo a cadeira vazia à minha frente, esperando que volte e preencha-a. Dois pratos ocupam a mesa. Duas taças com vinho. Mas apenas um coração, partido em pedaços, murcho e destruído; preso a um passado -a um alguém- que não está mais presente. Tento sorrir. Juro. Mas é difícil pintar novas histórias quando minhas tintas, minha tela e meus pincéis estão marcados por tons de tristeza, deixados por um estranho conhecido que foi embora.
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