O som silencioso da solidão talvez seja o barulho mais dolorido de todos. Ressoa nos ouvidos, nos faz sangrar, dói; e é algo que precisamos curar sozinhos. Dizem que a solidão é a falta de algo ou de alguém. Já parou para pensar que talvez seja apenas a falta de nós mesmos? 

Estou no meio de tantas pessoas, que perdidas em seu próprio mundo -vazias de si- buscam na multidão pequenos pedaços de afeto. Qualquer coisinha já é suficiente. O pouco que nos é dado serve de consolo; e então, após sugarmos a energia boa que resta em alguém, partimos para outro. E outro. E outro. E outro. 

Baladas, me parece, têm esse objetivo, não? Roubar parte do nada dos outros para preencher um nada ainda maior que existe dentro de nós. O que fica depois da dança, das risadas com os amigos, dos tombos; são boas lembranças. Porém, o que sobra depois de muitos beijos com gosto de vodca, mordidas carregadas de veneno, olhares vagos e perdidos; é apenas um vácuo absoluto. E ele se expande mais e mais, tragando consigo toda a luz que temos, nos cegando e prendendo-nos num mar de escuridão, onde tudo que nos resta é mendigar farelos de amor pelos cantos. 

Nessa montanha-russa de escolhas, vamos sobrevivendo de sobras e os sentimentos bons vão sendo deixados de lado, ficam num segundo plano. O coração vai para o fundo de um baú empoeirado onde a única coisa que o atinge são resquícios de uma quase vida, entretanto ele jamais chega a sentir por completo.