O que será de mim? Essa é uma pergunta que não sai da minha cabeça. Fico contando horas em um relógio que parece quebrado: o tempo passa, os ponteiros giram, mas você não está aqui, não chega nunca. Ainda não saiu do fundo do mar?
Meu peito infla tão rápido e o nó na garganta parece nunca desaparecer. Choro. O que mais posso fazer nessa situação? Infelizmente o que me restou foi isso: nada. O vazio, a cama fria e com espaço de sobra, o medo do escuro e a solidão pendurada em minhas costas, pesando em meus ombros. O coração dói. Sempre imaginei que coração partido era uma metáfora, mas creio que não. A dor que sinto é física. Meu emocional está destruído, e meu corpo quer definhar junto com ele.
Estou chorando mais uma vez. Não quero cigarros nem álcool. Não quero morrer nem esquecer de nada. Só quero viver de novo. Quero sentir que há esperanças e que o futuro me espera de braços abertos e com um sorriso no rosto -ou será que esse futuro que tanto quero é você?
Você foi embora, eu sei. Partiu e me deixou aqui em meio ao oceano. Meu bote virou e estou afundando cada vez mais. E por mais idiota que seja, ainda espero que você volte com um colete salva-vidas e me puxe para dentro da sua embarcação, que não me deixe morrer sozinha nessas águas salgadas. Ou será que são minhas lágrimas escorrendo que tem esse gosto agridoce?
Animais marinhos passam por mim enquanto meu corpo submerge. O silêncio me deixa ainda pior, pois escuto sua voz nos meus pensamentos. Será que posso me afogar em paz, por favor? Chego ao fundo. Não há para onde ir, senão voltar à superfície. Vejo você em minha frente, com a mão esticada. A visão é que encontrei o baú do tesouro. Devo segurar sua mão e insistir nessa relação terminada ou te deixar aqui embaixo?
Feixes de luz solar atravessam meu corpo. Olho para cima e imagino que há muita coisa a viver. Você já me esqueceu. Deixarei meu ouro aqui. Alguém vai encontrá-lo algum dia -ou quem sabe ele retorne com a maré até a praia e vá me encontrar. Ele ainda tem meu endereço. Nado até a superfície. Vejo o sol no horizonte.
O que será de mim? Continuo sem saber, mas já não estou mais me afogando. É um começo.
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