Eu queria te conhecer. Sei lá. 

Quem sabe esbarrar em você na rua ou derrubar meu café em ti. 

Talvez você ria das minhas desculpas, e eu me apaixone pelo seu sorriso amarelado. Talvez você queira ser o garoto que faz planos comigo, que deita na grama ao meu lado para olhar as estrelas em dias quentes de verão. Aquele que senta em minha frente e pega na minha mão, que vai no parque tomar sorvete e ver o sol se pôr ou ouvir as ondas quebrando na praia. 

Talvez você queira ser o garoto que voa comigo, que tira meu chão e me faz flutuar. Vai que você queira ser a pessoa que fica ao meu lado. Um ombro amigo. Um aconchego. Alguém para conversar sobre os nadas da vida, e tornar conversas banais as mais interessantes de todas. 

Talvez eu seja o garoto que ouve músicas contigo, e que te envia todas as novas descobertas musicais. Talvez eu seja o garoto que se apaixona todos os dias pelo seu sorriso de canto. Eu poderia ser a sua companhia para ir ao cinema ver um filme, e agarrar sua mão em momentos de tensão. Eu poderia fingir me espreguiçar e colocar, discretamente, meus braços por cima do teu ombro. Depois sorrir sozinho e olhar para ti de perfil. E então me perder no teu beijo. 

Talvez eu queira que você seja o garoto que entra pela porta da igreja, e que sorri ao me ver de terno no altar. E vou chorar, transbordando pelos olhos a felicidade que irradia do meu corpo.  

Talvez...

Só que não há como sabermos. Quem sabe a gente nunca se esbarre. 
Mas eu vou esperar mais um pouco aqui, observando o café esfriar. 

A vida não oferece spoilers.